23.12.08

História (1)

Cena 1: Sandro com 17 anos, ouvindo conselhos:

- Quando tu fores fazer o psicotécnico, tu tens que desenhar o chão. Certo? Desenhar o chão!
- Hummm... OK.

Cena 2: Sandro com 18 anos, dando conselhos:

- Quando tu fores fazer o psicotécnico, não esquece de desenhar o chão em baixo do bonequinho. Viu? Não faça como eu, que ao entrar na sala, olhou para o chão e pensou "Rá! É parquê! Se pedirem, vai ser fácil de desenhar!"
- HAHAHHAHAHAHAHAHAHAHA!!!

10.9.08

Pensando e Sentindo

Faz já alguns meses, encontrei a mãe de um grande amigo meu no ónibus. Tivemos uma curta conversa sobre psicologia que acabou me deixando intrigado. Não lembro de todos os detalhes, mas parece que existem dois tipos de pessoas que ocupam dois extremos de uma escala. Numa das pontas estão as pessoas que gostam de agir. Na outra ponta estão as pessoas que gostam de pensar. Lembro que ela me perguntou

- Tu gosta de pensar, não é?

Respondi que sim, até pq essa era a resposta mais óbvia pra mim. Só depois, pensando um pouco (rá!), me dei conta que isso não só era verdade como eu provavelmente estava próximo de um dos extremos da escala.

Isso explica bastante coisa. Os meus momentos de "stand-by" por exemplo. Volta e meia eu desligo do mundo exterior e volto toda a minha atenção para uma ideia ou uma imaginação. Quando era piá eu sonhava acordado, imaginando situações e fatos tão fortemente que até hoje as vezes confundo o que foi verdade com o que foi imaginação.

Eu ainda sou desse jeito. Como já li bastante e alimentei bastante essa lata de lixo que é a minha cabeça, consigo passar tanto tempo pensando em algo que me satisfaço só com o pensamento. Talvez por isso nunca tenha conseguido montar uma banda. Em pensamento, nunca erro as notas. :)

Pensando (rá 3!) um pouco, me dou conta que conheço várias pessoas que tem essa característica pensadora, de uma forma ou de outra. Talvez sem chegar ao extremo de sonhar acordado. Mas arrisco a dizer que todo bom nerd tem um pouco dessa característica: gostar de pensar e se satisfazer com o pensamento.

As vezes vejo as pessoas pensantes como se elas estivessem desconectadas do mundo exterior. Fora de sintonia com a realidade. Como se elas pudessem, quando enchessem o saco da realidade, voltar eu seu mundo interior - quase - perfeito e, acima de tudo, só seu. Como se o mundo exterior fosse um vídeo-game ou um objeto que pudesse ser explorado e testado. Como um aquário.

Há alguns minutos, enquanto lavava uma cueca, estava pensando (rá 4!) se isso tinha alguma relação com uma aparente dificuldade que tenho de me envolver de verdade com pessoas, especialmente do sexo oposto. Digo, de gostar profundamente. Tenho impressão que há uma relação. Um pensador não gosta que interfiram no seu pensamento. Digo, não gosta que interfiram na sua liberdade de pensar livremente. E isso envolve não se comprometer com algo do mundo aí fora. Compromisso é perder a capacidade de análise, saindo do racional e indo para o instintivo. Pensadores têm medo não gostam do instintivo. Acima de tudo, pensadores não gostam de tomar decisões. E gostar envolve tudo isso. Confuso.

É engraçado, mas lembrando um pouco quais são as musas de toda a comunidade nerd (seja lá o que for isso), dá pra traçar um perfil. São mulheres que agem e que tomam decisões, enquanto o bonito fica lá pensando na morte da bezerra. Parece besteira, mas todas essas mulheres idealizadas são pessoas que acima de tudo agem.

Não gosto de admitir, mas eu gosto de gurias assim. São elas que conseguem fazer com que eu saia desse mundo mental asséptico e entre com contato com a realidade. Grande parte das garotas que me relacionei eram assim. Mas por algum motivo e em algum ponto da relação eu sempre entrei em pânico e voltei a minha assepsia imaginária.

Mas as vezes acontece

Acho que foi o Shrek que disse: "ogros são como cebolas". Na verdade todas as pessoas são como cebolas. E duas pessoas, de formas distintas, abriram uma brecha pelas camadas que compõem a minha blindagem intelectual e jogaram toneladas de realidade lá para dentro. Quando saíram, as brechas ficaram.

Passei anos pensando em como fechar a primeira e filtrar toda a realidade para fora. Analisando, analisando, analisando... a história é sempre a mesma. No final ficou uma mega cicatriz.

Cheguei a pensar - como vcs podem ver, eu não tenho jeito - que se eu abrisse uma segunda ferida as coisas melhorariam. Pelo menos eu mudaria de assunto. Teria outra coisa pra pensar e processar. Parece que deu certo. Me sinto um abobado, mas parece que deu certo. Outra pessoa vem do nada e me dá um choque de realidade. Talvez tão forte que eu nem tenha percebido. Fugiu do meu controle (um sob-produto do pensamento) e corri de volta para dentro. Não deu funcionou. Pensei que conseguiria voltar a assepcia mental, mas tudo que encontrei foi uma mente totalmente sem lógica, como um carro desgovernado. Isso nunca me aconteceu...

E aqui estou eu olhando pela janela, pensando, ainda com um sentimento estranho reverberando para lá e para cá, não sei se alimentando aonde...

(violinos)

15.7.08

Voltando

Depois de testar bastante esse blog, está na hora de volta a escrever. Até porque preciso manter em dias as minha já precárias habilidades literárias.

Falando em habilidades literárias, li algumas coisas nesse meio tempo. Li algumas coisas várias vezes. Tenho explorado o prazer de ler o mesmo livro mais de uma vez. Meu exemplo mais extremo, tirando os livros do LF Verissimo, é a saga do Guia do Mochileiro das Galaxias. Li umas cinco ou seis vezes entre a tradução e a original. Mas isso não é importante. Importante é o livro "Sociedade da Mente", do Marvin Minsky, que estou lendo agora.

O Minsky é um dos pais da Inteligência Artificial e um grande pensador. O Sociedade da Mente é quase uma leitura obrigatória para quem é da área. No entanto, é razoavelmente acessivel a qualquer pessoa que já tenha quebrado um pouco a cabeça sobre como a nossa mente funciona. O principal objetivo do livro é propor uma teoria que explique o funcionamento da mente de forma sistemática. A hipótese basica inicial , sobre a qual toda a teoria se baseia, é que a mente de um individuo pode surgir da interação entre diversos sub-individuos, estes sem mente própria. O nosso cérebro, por exemplo. Se adotarmos uma abordagem totalmente materialista, podemos dizer que a mente de um ser humano "emerge" do funcionamento e da interação entre os neuronios, sem que estes apresentem qualquer indicio de terem auto-conciencia e inteligencia por si só. Por isso o nome do livro: uma sociedade de individuos simples que, cooperando, dão origem a uma mente em um individuo.

E agora falando em explicações materialistas, encontrei um artigo bem interessante de uma pesquisadora associada ao Minky, chamada Judith Donath, do Media lab/MIT - laboratório dos sonhos de qualquer cientista :). Ela discute as visões dualista e materialista sobre a mente humana e as implicações dessas visões sobre a pesquisa de maquinas inteligentes. Uma visão dualista assume que a mente contém um elemento fundamental sobrenatural. Ou seja, impossível de ser observado no plano fisico e, por isso, impossivel de ser medido, entendido e simulado. Já a visão materialista abole o sobrenatural e afirma que todos os processos que dão origem a mente humana acontecem no plano fisico. Logo, em um futuro poderiam ser totalmente depurados e entendidos. O interessante é que -e por isso que estou escrevendo isso - a autora chega em um meio termo. Embora todos os processos e eventos que acontecem na natureza sejam perfeitamente fisicos e passiveis de medição, alguns deles podem não ser percebidos pelo ser humano. Ela sugere que a nossa mente pode ter limitações inerentes que nos impessam de observar e entender por completo alguns processos da natureza, como a nossa própria mente. Ou seja, embora o mundo seja totalmente fisico, sem qualquer elemento sobrenatural, talvez nunca poderemos entender a totalidade da naturesa devido a limitações e filtros na nossa prõpria forma de pensar e perceber o mundo.

Não sei muito bem quais as implicações disso. Me ocorre que em quase todas as propostas de sistemas inteligentes são baseados em modelos extremamente restritos. Modelos que são uma caricatura da realidade. Impomos uma série de filtros sobre a realidade para que ela seja possível de ser gerenciada por uma maquina. Mas acho que também tem outro motivo. Gostamos de entender e explicar e estruturar os fenomenos até o seus intestinos. Ainda mais quando fomos nós que o criamos. Imagine uma cientista tendo que adimitir que não entende porque o seu robozinho está funcionando. As vezes tenho a impressão que esse caminho é totalmente errado. Se quisermos ter maquinas pensantes, devemos criar modelos de mentes eletronicas que sejam tao irrestritos e inestruturados que, no final, seja impossivel - e sem sentido - tentarmos explicar em um grande nivel de detalhes como eles funcionam. Só darimos a partida inicial e o sistema passaria a funcionar se alimentando e modificando dinamicamente. Como nunca ninguem pensou nisso antes??!?!

Talvez pensaram a 30 a nos atrás e viram que não era uma boa ideia. hehehe

Bom, vou postar isso aqui sem revisar.

7.8.07

Testando Denovo

A vida é bela.... em tese!

2.7.07

Blog em Testes

Estou testando algumas novas tecnologias aqui. Então não reparem se figuras estranhas estranho aparecerem.

3.6.07

"Te levanta daí, animal!"

Alguma coisa pra falar? Algo não-óbvio? Ah! Sim!

Com risco de parecer pedante, vou trazer outro fato que presenciei quanto estava na França.
Depois de uma longa série de dias nublados, um solzinho resolveu aparecer. Aí fui caminhar no parque Blossac, que me disseram ser a "Redenção" Poitiensse, pois sua forma lembra um pouco o nosso Parque Farroupilha. Fiquei lá caminhando, naquele chão meio pedregoso e empoeirado do parque. Derrepente ouço um barulho característico de bicicleta caindo. Me viro. De fato, um bicicleta caíra e junto com ela um piá de uns sete, oito anos. O gurí começa a se desenredar da bicicleta, concentrado, com uma cara de "merde!". Vejo que do lado, a dois passos de distância, o pai do gurí pára a sua bicicleta e começa a falar algumas coisas sem descer dela. Não entendi o francês, mas pelo tom da palavras, ele dizia algo como "vamos, te levanta daí e começa denovo!". O gurí verifica as mãos, levanta a bicicleta, e segue pedalando, junto com o pai. E em nenhum momento a criança fez sequer um movimento facial que sugerisse nem um mínimo de choro.

Eu achei isso muito simbólico. No Brasil, certamente 351 pessoas iriam correr para acudir o garoto, levantá-lo do chão, levá-lo ao Pronto Socorro para levar pontos em alguns arranhões e, em motivo de protesto, queimar a bicicleta. Talvez colocassem a culpa no governo.

Diferença entre povos e culturas aparece nas pequenas coisas. Lá os pais ensinam as crianças a serem pró-ativas e cuidarem de si mesmos. A saberem de si mesmos. Afinal, quem quer andar de bicicleta uma hora cai e se machuca. Não tem graça se não for assim. Mas aqui não. Aqui, se alguém é bocaberta então lhe devemos extrema solidariedade. Quando mais fudido alguém parece, mais peso de consciência o Brasileiro tem. Especialmente o brasileiro da classe média. Como se alguém não tivesse o direito de ser bocaberta. Aqui no Brasil se premia na fraqueza e se desdenha o sucesso, como se o ultimo fosse um pecado perante a falta de sorte (ou de força) de outros. Algumas pessoas tem mais consciência de lei de Darwin do que outras. Então me digam o que é mais cruel?

Temos muito caminho pra mudar essa cultura e esse ponto de vista.

(Que frase essa ein, ein, ein?!)


Música do Período retorna:

Álbum What Happened To Television do The Greyboy Allstars.

29.4.07

Shhshhhhshshssssshhhshhshshshhhh

Faz tempo que ninguem escreve de verdade por essas bandas. Na verdade eu nunca tinha feito uma estréia verdadeira desse novo domínio. Aqui está ela. Resolvi postar depois de receber sinais de vida de alguns leitores. O que também me deixa embaraçado, pq não tenho entrado muito em outros blogs.

Pra variar não sei muito o que escrever. Assunto muito recorrente, por sinal. Poderia escrever horas sobre não ter o que escrever. Ou não.

Bom, vou ligar o modo "querido diário" e vou contar - ou documentar - algumas coisas que aconteceram comigo nos últimos dias.

O fato mais marcante desde o ultimo post foi a minha volta da França para Porto Alegre. Não que eu tenha realmente saído a ponto de justificar uma total e arrasadora "VOLTA para Porto Alegre". Levei uma vida provisória por dois meses. Por exemplo, levei tantas meias que quase não precisei lavá-las. Nem desfiz a minha mala.

Posso dizer que foi uma tima experiência. Pessoalmente, academicamente, profissionalmente, sociologiamente, economicamente e etc. Se adaptar a vida em um lugar desconhecido, com pouco conforto e com uma língua estranha. Viver em alerta constante por 1 mes. Isso sim que forja o homem. Acho. Se bem que ando quase tão fresco quanto antes de viajar.

Esses dias encontrei uma comunidade chamada "Depressão Pós-Europa". Divertida. Não cheguei a entrar pra não parecer clichê. Aliás, toda a minha aventura na terra do croassaint foi um luta contra o clichê do estudante rio-grandense na Europa, em especial, na França. Meu foco era tentar estabelecer a mesma rotina que eu tenho em Porto Alegre. Nada de loucuras. E posso dizer que foi divertido. Mas voltemos a depressão.

Fiquei meio deprimido depois que voltei. Não sei pq. Ainda tenho a impressão que tudo começou na segunda semana ainda fora do país, mas se manifestou depois que eu voltei. E não sei direito o que pode ser. Desconfio de algumas pequenas coisas. Uma semi-quebra de realidade. Quando voltava pra ciadade depois de um longo tempo fora, sempre achava tudo muito diferente. Sentia que o tempo havia passado. Mas dessa vez foi diferente. Porto Alegre não mudou quase nada. Tudo continua no mesmo lugar. Ou quase. E isso que me perturbou.

Ao chegar em casa tudo estava assustadoramente no mesmo lugar. Exceto o radio relogio da cozinha. Depois de ficar ANOS no mesmo lugar, ele havia sido movido para outro balcão. Isso me deixou perturbado. Outro fato perturbante é que fiquei sem acesso ao meu PC no meu lab da faculdade por duas semanas. A impossibilidade de usa-lo fazia com que eu me sentisse um visitante na minha propria "casa". Acho que foi isso. Aliada as quarenta e oito horas que fiquei acordado desde quando saí da cama em Poitiers até deitar na minha cama em Porto Alegre. Não façam isso. Ainda não me sinto recuperado. Parece que eu torci o meu cerebro.

Eu sou um cara contemplativo. Contemplo até formigas passeando pelo jardim. Mas ainda não tive tempo de contemplar o rito de passagem que foi essa estadia em Poitiers. Recomecei a minha rotina direto. E que rotina. Já cheguei com coisa atrasada pra fazer. Eu precisaria tirar uns quinze dias de ferias. Só que agora é tarde.

Estou tentando ter um atitude positiva perante a vida. Mas essa positividade está se esgotando. E o primeiro indicio disso é uma constante sensação de tédio que tem me perseguido desde que eu voltei. Em um mundo tão diversificado, ter tédio é algo meio contraditório. O problema é que me faltam forças pra mudar isso. Ou não quero mudar isso. Ou enfim, que seja. O fato que estou me sentido mal desde que voltei e isso não parecer ter nada haver com o fato de ter viajado.
Finalmente, como esses relatos sempre buscam uma generalização de sentimentos, posso dizer que tenho me sentido como se houvesse um pouco de ruído na minha vida. Da mesma forma como um rádio mal sintonizado tem ruído.

Pffff. Que horror. Pelo menos é um primeiro post.